Mayaman, assim se chama a vila onde se pode ir buscar a esperança. Fica num vale entre belas montanhas. O caminho para lá chegar é lindo, com árvores muito antigas e colocadas pela natureza, aqui e ali. Os cogumelos crescem em abundância neste caminho. Lá ao fundo eu sabia que ia encontrar, mais uma vez, o canto no pátio do castelo que antes pertenceu à minha família,os Flaminnigs.

Quando preciso de paz e de conselhos para as minhas incertezas, sento-me no cadeirão, meio intacto e meio desgastado pelos anos. Sem sair do cadeirão voo com as minhas asas mágicas para todos os lugares que me fazem feliz, nem as ruínas do castelo me impedem.


” Mileta, Mileta”, oiço o meu nome, voo do cadeirão para me esconder por baixo da primeira folha que encontro. ” Mileta sou eu a Esperança, nao te assustes minha amiga”. Mileta senta-se na folha e Esperança pega nela gentilmente. ” Que bom ver-te Esperança! O que tens tu no teu cabelo? Está cheio de objectos…”


” É verdade! Nestes últimos anos tenho recebido muitos pedidos de esperança dos humanos. Eles vao dando as suas preocupações, as saudades, os desejos, e eu vou oferecendo o que tenho, para os ajudar. E tu minha querida Mileta que fazes aqui no teu cadeirão?” ” Procuro também algo que me traga esperança.” Mileta olhou para aquela pena branca no cabelo da Esperança e foi o suficiente para perceber que podia sempre escrever. A pena voou para as suas delicadas mãos.